Retrospectiva 2016: Antes de morrer, viva!

Sentado aqui, no topo desta pedreira, eu percebo o quanto a vida pode ser curta – e ela faz questão de sempre nos lembrar disso -, vide o tanto de vidas que esse ano de 2016 já levou. Triste, ansioso, animado, aterrorizado, vazio, inspirado, grato, nervoso, inseguro, orgulhoso, chateado, realizado, aliviado, devastado, sortudo – Eu nem sabia que era possível sentir tantas coisas de uma vez só. E se eu pulasse? Será que a queda me mataria? Em quantos segundos eu estaria no chão, morto? Será que a dor de morrer é maior do que a de um coração partido? Será que alguém sentiria a minha falta?

São várias perguntas que, felizmente, eu não quis descobrir as respostas. Mas confesso que fiquei intrigado, afinal, o que seria o “para sempre” se minha vida acabasse aqui, agora? Deixa pra lá. É claro que eu não tenho um papel e caneta pra escrever tudo o que estou pensando no momento e estou morrendo de medo de tirar meu celular do bolso pra digitar e derrubar ele aqui, então eu espero conseguir transformar todos esses pensamentos em palavras a tempo. Não posso me esquecer de nada.

Desde que eu entrei de férias da faculdade e do trabalho eu tenho tido muito tempo pra pensar. Eu odeio isso, a minha mente me prega muitos truques, e muitas vezes me sabota, mas é final de ano e é bom fazer uma retrospectiva mental e ponderar o que foi bom e ruim. É hora de organizar os pensamentos, organizar os sentimentos e por alguns deles pra fora pra não surtar.

As pessoas que temos ao nosso redor tem um impacto muito grande e direto em como nos sentimos e, se elas não nos fazem bem, porque tê-las por perto? Eu obtive a resposta dessa pergunta quando me mudei de um ambiente de energias ruins, que me fazia mal e não conseguia sequer chamar de “lar”. Mas nem tudo ficou bem depois disso, a coisa era mais profunda. Durante o ano todo eu me deparei com pessoas dando dimensões extraordinárias a coisas fúteis. Muitas dessas pessoas, inclusive, ainda fazem parte do meu ciclo virtual. A necessidade de ser gostado, de pertencer e de significar pro outro é uma extensão da carência que temos de nós mesmos e isso fica muito evidente em simples publicações no Instagram, ou no Facebook, ou qualquer outro ambiente que podemos ter visibilidade. Ambientes, estes, que me deixaram vulnerável a me comparar aos outros. Comparar minha vida, meu relacionamento, minhas roupas, meu corte de cabelo, minha personalidade, tudo. E isso não é algo que eu me orgulhe em estar contanto. Meu medo de falhar se transformou no peso do mundo todo nas minhas costas. A necessidade de ter uma vida “perfeita” aos olhos dos outros fez com que eu não conseguisse ficar feliz pelas menores conquistas – próprias, ou de pessoas ao meu redor, com quem eu me importo muito. As constantes reclamações de não estar onde eu queria estar me cegaram de ver o quanto a minha vida é espetacular. A vida não deve ser uma competição entre quem é mais bem sucedido, bonito ou popular. Uma coisa que eu percebi este ano é que é muito fácil você se perder quando é seguido por milhões de pessoas. A cobrança externa faz com que você mude quem você é para agradar aos outros. Suprir expectativas de pessoas que, muitas vezes, você não faz ideia de quem são. Em um mundo de tantas coisas e pessoas fúteis que nos confunde ao ir à procura da felicidade, este foi um dos maiores aprendizados do ano: cada um tem seu brilho próprio e o sucesso de alguém não quer dizer o seu fracasso.

Shakespeare dizia: “A vida é curta, então ame a sua vida, seja feliz e mantenha sempre um sorriso no rosto. Viva a vida para você. Antes de falar, escute. Antes de escrever, pense. Antes de gastar, ganhe. Antes de orar, perdoe. Antes de magoar, sinta. Antes de odiar, ame. Antes de desistir, tente. Antes de morrer, viva!”

Depois de muita reflexão eu percebi o quanto sabotei minha felicidade durante esse ano. Eu não estava sendo eu mesmo com meus amigos, minha família ou no meu namoro. Eu me cobrava muito, mas ao invés de usar isso como uma forma que me ajudaria a melhor, eu usava como uma forma de me por pra baixo. Eu achava que não era bom o suficiente pra nada. Eu achava que alguns traumas do passado me impediam de me entregar ao todo para alguém. Eu achava que, com apenas 22 anos, eu já deveria ter uma vida bem sucedida. Mas eu estou crescendo e quando a gente cresce, muitas vezes, significa que nos sentiremos sozinhos. E foi durante esses momentos sozinho que eu fui percebendo o quanto estava errado em pensar tudo isso, em querer atropelar a vida. E ao invés de tentar fazer tudo acontecer de forma desesperadora, eu decidi que vou deixar com que as coisas aconteçam naturalmente. E não, eu não quero dizer que vou esperar minhas realizações caírem do céu quando eu falo em “acontecer naturalmente”, mas sim em parar de me cobrar tanto – evitar frustrações. Aprender que nem tudo está sob o meu controle. A vida é do jeito que ela tem que ser, e não há nada que possamos fazer sobre isso.

2016 foi, sim, um ótimo ano para mim. Tá certo que eu não viajei para todos os lugares que queria, ou fiquei rico e comprei uma lancha, ou lancei meu CD de covers de músicas tristes. Mas eu me realizei de outras maneiras! Eu me encontrei profissionalmente. Eu fiz novos amigos que iluminaram meus dias mais sombrios e levantaram minha cabeça quando eu estava triste. Eu comprei várias coisas com o meu próprio dinheiro. Eu sobrevivi mais um ano em São Paulo. Eu conheci pessoas que me inspiraram. Eu me apaixonei. Eu amei. Eu vi o lado bom, leve e divertido da vida. E eu sou grato por tudo isso.

E assim eu me despeço de 2016: com um sorrisão no rosto. Eu acredito que se eu finalizar o ano com uma boa energia e atitude, o ano que está chegando pode ser melhor ainda. Então é isso! Um beijo, obrigado à todos que me acompanharam e em 2017 eu volto! 😀

Iury Parise

Um garoto do interior morando em São Paulo. Apenas mais uma pessoa tentando se destacar no mundo! :) Me acompanha?

One thought to “Retrospectiva 2016: Antes de morrer, viva!”

  1. “A vida é curta, então ame a sua vida, seja feliz e mantenha sempre um sorriso no rosto. Viva a vida para você […].” <- Isso é tão verdade.
    Dar valor a tudo que recebemos e também o que não recebemos é viver a vida do jeito tem que ser. Há sempre altos e baixos, e só crescemos aprendendo com elas.
    Parabéns Iury! Sucesso! Deus lhe abençoe! Feliz 2017.

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