Entrevista: Jão conta da transição de covers no YouTube para seus primeiros singles autorais

Justin Bieber, Tori Kelly, The Weeknd, Shawn Mendes, James Bay, Alessia Cara, Ed Sheeran e Charlie Puth são apenas alguns dos nomes que usaram o YouTube ou qualquer outra plataforma digital para apresentar seus talentos e trabalho ao o mundo. Aqui no Brasil a história não é muito diferente, Anitta, Mallu Magalhães e os mais recentes Anavitória e Pabllo Vittar também usaram a internet para conquistar suas carreiras musicais, estratégia que não falhou para Jão.

Após estourar com versões românticas de vários hits nacionais e internacionais em seu canal, Jão – apelido que João Romania escolheu para assinar seu trabalho, trilhou seu caminho até assinar com a HEAD Media, um dos selos da Universal Music Brasil, e lançou seus dois primeiros singles autorais no final de outubro: “Álcool” e “Ressaca“, com produções assinadas por Pedro Dash e Marcelinho Ferraz – responsáveis por alguns dos hits de Anitta, Projota, Manu Gavassi, Emicida e Mc Guimê. No fim de semana do lançamento, as duas músicas entraram no Top 10 das 50 virais do Spotify Brasil, “Ressaca” em terceiro lugar e “Álcool” em décimo.

São músicas muito genuínas, vieram de experiências com amigos, da minha chegada à São Paulo, de festas que eu fui, de relacionamentos que não deram muito certo e eu não soube lidar muito bem e eu transformei tudo isso em música. Acho que elas são a porta de entrada pro que ta vindo ai.

Além do talento, o sucesso se deve a imensidão de fãs que o cantor acumula em suas redes sociais, já são quase 600 mil seguidores no YouTube, Facebook e Instagram: “Eu acho que a internet me influenciou a pensar além da música. Pensar na parte visual e prestar bastante atenção em outros gêneros musicais e a ver como as pessoas se relacionam com a sua música porque é uma resposta muito rápida, quase imediata, e você precisa estar preparado pra isso. E também me influenciou a me diferenciar de alguma forma. Sem a internet e essa concorrência de tanta gente querendo ser vista e ouvida, acho que você pode ficar um pouco confortável no que você gosta de fazer. A internet te impulsiona a ter mais sangue nos olhos pra fazer o que você quer fazer.

Jão começou sua relação com música desde muito criança: “Eu era meio esquisito, gostava de ir pro meu quarto e ouvir os CDs da minha mãe, um pouco bizarro pra uma criança de 5 anos. Mas os artistas, essas pessoas que eu ouvia, começaram a se tornar amigos na minha cabeça. Eu me inspirava muito na mensagem deles e se tornou natural eu querer fazer o que eles faziam.” Em 2016, ele publicou uma versão da música “Bang“, da Anitta, no YouTube que viralizou e chamou atenção do público, da imprensa e até ganhou elogios da própria cantora. Mas foi com “Medo Bobo“, da dupla Maiara e Maraísa, que o cantor explodiu e o vídeo já beira 1 milhão de visualizações.

Você começou cantando músicas de outros artistas. Como é pra você ver as pessoas fazendo cover das suas músicas autorais agora? Eu já vi todos! Eu fico muito feliz de verdade, pra mim é uma realização que as pessoas gostem tanto da minha música a ponto de fazerem cover dessas músicas. É uma realização muito grande.

Apesar de cantar músicas de todos os ritmos – e dar um toque propriamente único em todas elas, Jão está no caminho de lançar sua carreira no pop brasileiro, cenário em que ele está ajudando a ganhar forças: “Eu acho que finalmente nós estamos criando uma cena pop no Brasil. Nós tivemos vários picos de música pop no país, mas eu acho que nunca houve uma união muito grande e alguém que organizasse essa cena bem. Eu acho que agora as pessoas estão entendendo isso melhor, tanto que outros ritmos que são muito bem organizados como o sertanejo e o funk estão começando a olhar para o pop de uma maneira diferente, querendo participar. Eu acho que lá fora funciona muito bem porque tem bastante festivais, premiações e revistas dedicadas ao pop – o que fortalece muito o gênero musical. Porque o pop é isso, é ir além do gênero, é como se fosse uma fantasia, um imaginário muito grande. E os personagens que existem hoje na cena pop fortalecem isso. Eu acho que ainda tem muito a crescer, muito pra acontecer, mas acho que estamos em um caminho bem legal.

Assim como fez com os singles, o cantor lançou os dois videoclipes de uma só vez e participou de toda a produção do material: “Eu participei do roteiro, de escolher as locações, de escolher o casting, tudo. Foi bem pesado. Eu como ser humano gostaria muito mais de ter chego, gravado e ido embora, mas não conseguiria. Pra mim, a parte visual é tão importante de ser acompanhada quanto a musical. São dois trabalhos que andam muito juntos e não teria como eu não participar tão ativamente de tudo. Foi bem legal. Eu fiquei muito feliz com o resultado“. Os vídeos têm São Paulo e o litoral paulista como cenário e foram dirigidos por Gabriel Dietrich.

Após uma estreia de sucesso, Jão já lotou um show no Rio de Janeiro, se apresentou em duas festas nas maiores capitais do país e está trabalhando em um novo material para o aguardado lançamento do seu primeiro EP. “As pessoas podem esperar um som bem legal e bem novo, uma evolução de tudo que eu já lancei. Eu quero buscar evoluir, adaptar e experimentar cada vez mais conforme vamos lançando mais material. Então eu acho que é um som novo legal, uma preocupação visual e estética bem grande e com um cuidado bem grande com a qualidade do trabalho que nós formos entregar“, concluiu.

Para alguém de apenas 23 anos, a maior ambição de Jão, profissionalmente, é poder “cantar até ficar muito velho e não puder mais cantar, e cantar mais um pouquinho. Se eu conseguir viver de música, pra mim já será um grande passo, uma grande realização.

Ressaca” e “Álcool” estão disponíveis em todas as plataformas digitais.

Iury Parise

Um garoto do interior morando em São Paulo. Apenas mais uma pessoa tentando se destacar no mundo! :) Me acompanha?

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