Crítica: “O Rei do Show”

O REI DO SHOW
★★★★☆

ELENCO: Hugh Jackman, Michelle Williams, Zac Efron, Zendaya, Rebecca Ferguson, Paul Sparks e Keala Settle
DIREÇÃO: Michael Gracey
GÊNERO: Musical/Drama
DURAÇÃO: 1h 45m
DISTRIBUIDORA: Fox Film

“O Rei do Show” é um musical audacioso e original que celebra o nascimento do show business e o senso de admiração em que nós caímos quando sonhos viram realidade. Inspirado pela ambição e imaginação de P.T. Barnum, “O Rei do Show” conta a história de um visionário que surgiu do nada para criar um espetáculo hipnotizante que se tornou uma sensação mundial.

O Rei do Show” conta uma versão lúdica e boazinha da história de Phineas Taylor Barnum, mais conhecido como P. T. Barnum – e quando eu digo lúdica, eu não estou me referindo à superprodução cheia de coreografias e efeitos especiais, mas sim da verdadeira personalidade de quem inspirou a história aqui contada.

O longa-metragem já começa com “The Greatest Showman” – faixa que dá nome ao musical, em uma sequência linda para os olhos e os ouvidos comandada por Hugh Jackman (“Os Miseráveis”). Aos mais fãs dos temas circenses, vão se arrepiar logo na cena de abertura! Inclusive, a trilha sonora do filme tem tudo pra ser um sucesso já que foi totalmente composta por Benj Pasek e Justin Paul, a dupla responsável pelos hits do musical “La La Land” – estrelado por Emma Stone e Ryan Gosling e vencedor de seis estatuetas do Oscar este ano, sendo duas delas por Melhor Música Original e Melhor Trilha Sonora, tá bom pra você?

Imagem: Reprodução

Após o ato de abertura, é hora de conhecermos a infância de P. T. Barnum (vivido pelo jovem Ellis Rubin e na voz de Ziv Zaifman). Filho de um alfaiate, o jovem conhece Charity Hallett (interpretada por Skylar Dunn e mais tarde pela incrível Michelle Williams) e se apaixona por ela, mas precisa enfrentar a desaprovação do pai de Charity – que a envia para um colégio interno para ficar longe do rapaz de origem pobre. Já adultos, as versões de Jackman e Williams se reencontram e ficam juntos, enfrentando todos os desafios de formar uma família – destaque para Austyn Johnson e Cameron Seely, que interpretam as filhas do casal, Caroline e Helen Barnum, de forma tão natural que roubam todas as cenas em que aparecem. Infelizmente o casal não é capaz de transmitir muita química em tela, e pior ainda, a personagem de Michelle (que venceu um Golden Globe de Melhor Atriz por “Sete Dias com Marilyn”) não é desenvolvida em momento algum, estando ali com a simples função de ser a esposa do personagem de Hugh.

A narrativa do filme é bem previsível e não tem um plot twist tão eficaz quanto “La La Land” – comparado aqui por ser o último musical de maior sucesso lançado recentemente, mas é bem eficaz em celebrar a diversidade e peculiaridade de cada um, como vemos pela formação da trupe do circo e no número “This Is Me”, o hino de aceitação da diversidade, liderado tão poderosamente pelos vocais de Keala Settle, que interpreta a Mulher Barbada, Lettie Lutz.

Falando em vocais poderosos, é em “Never Enough” que ouvimos a voz extraordinária de Loren Allred (finalista da terceira temporada do “The Voice”), dublada pela atriz sueca Rebecca Fergunson que da vida a personagem Jenny Lind, uma famosa cantora na Europa que P. T. traz para a América como sua nova descoberta.

Imagem: Reprodução

Zac Efron (que já teve experiencias musicais em “High School Musical” e “Hairspray”) e Zendaya (“Homem Aranha: De Volta ao Lar”) completam o elenco principal. Efron interpreta Phillip Carlyle, um ator de teatro capaz de lotar sessões, mas se vê preso a uma sociedade burguesa da qual não suporta, enquanto Zendaya vive Anne Wheeler – uma trapezista que, ao lado do irmão W. D. Wheeler (Yahya Abdul-Mateen II), se juntam ao circo de aberrações – assim considerados pela sociedade Nova Iorquina da época, por simplesmente serem negros. O casal divide um número emocionante em “Rewrite The Stars”, com direito a coreografia no trapézio e várias acrobacias.

O filme destaca a crença de P. T. em acreditar que “a arte mais nobre é fazer outros felizes“, questionando sobre o que pode ser considerado arte e o que foi feito para entreter as pessoas, a criação do showbusiness e até das estratégias de publicidade de Barnum – considerado por muitos o pai do marketing e do circo moderno. E falando em entretenimento, é o que não falta durante toda a história. Mesmo com uma narrativa previsível, o filme é original e é uma celebração à humanidade, ao que nos torna diferentes e especiais.

O Rei do Show” chega aos cinemas de todo o Brasil no dia 25 de dezembro de 2017.

Iury Parise

Um garoto do interior morando em São Paulo. Apenas mais uma pessoa tentando se destacar no mundo! :) Me acompanha?

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