Crítica: “O Quarto dos Esquecidos”

O QUARTO DOS ESQUECIDOS
★☆☆☆☆

ELENCO: Kate Beckinsale, Mel Raido, Lucas Till, Duncan Joiner, Gerald McRaney, Michaela Conlin e Michael Landes
DIREÇÃO: D.J. Caruso
GÊNERO: Terror, Suspense
DURAÇÃO: 1h 40min
DISTRIBUIDORA: Imagem Filmes

Dana (Kate Beckinsale) e David (Mel Raido) formam um casal marcado por um trauma recente. Eles decidem sair da cidade grande e compram um casarão abandonado numa área rural, onde vão morar junto do filho Lucas (Duncan Joiner). Dana pretende usar seus conhecimentos como arquiteta para reconstruir o lugar e superar as dores passadas e assim descobre a existência de um quarto escondido, que não constava na planta.

Tudo começa quando, após um trágico e traumatizante acidente, Dana e David resolvem se mudar com o filho de cinco anos para uma casa de campo, afastada da cidade e de qualquer cidadão, na tentativa de deixar pra trás o acontecimento que desestruturou a família.

Dana, uma arquiteta que basicamente é o ganha pão da família, resolve então remodelar a casa e transformá-la no novo lar da família. É então que ela descobre um quarto que não constava na planta original da casa, um quarto com chão de metal e uma porta que pode ser aberta somente pelo lado de fora. A história começa a ficar realmente interessante quando a personagem começa a investigar o passado da casa e seus donos originais.

O filme é baseado em um acontecimento ocorrido em Rhode Island, nos Estados Unidos. Laurie Dumas, uma funcionária de uma biblioteca local, comprou a casa datada em 1857 e descobriu um quarto que ela achou estranho: com chão de metal e com uma porta que só abria do lado de fora.

Intrigada, Dumas começou a pesquisar e fez descobertas interessantes. A casa pertencera ao proeminente juiz Job Smith Carpenter, e sua esposa Frances Ellen Carpenter, já falecidos. No cemitério onde a família do juiz foi enterrada, existe a sepultura de uma menina, Ruth, “filha de Job & Frances E. Carpenter, 1895 – 1900“. Mas não há nos jornais locais nenhuma menção ao nascimento dessa criança, e apenas uma nota de sua morte, embora o casal fosse presença constante nas páginas sociais.

Era comum, antigamente, algumas famílias terem “disappoinetments rooms” – daí o título original do filme -, em suas casas. Historicamente, estes quartos eram usados por pais que tinham filhos com alguma desabilidade e queriam guarda-los em segredo para o resto do mundo, por se sentirem envergonhados. “Eles escondiam as crianças em quartos, o que era inacreditável,” contou Laurie Dumas, compradora da casa na história original.

O longa assombra mais por sua função histórica e política, que liga às práticas nazistas, do que com cenas de terror. É uma pena o final ter sido tão fraco e não tão bem desenvolvido, já que o diretor tinha em mãos uma forte e potente história. A atuação de Mel Raido, um pai “do lar” sem muita função na trama, também não é convincente em nenhum momento do longa.

Kate Beckinsale (“Serendipity”, “Van Helsing”) carrega o filme todo nas costas. Sua personagem é contida e carrega um trauma muito forte durante todo o filme até a cena do jantar com os amigos – onde ela consegue, com maestria, dar uma reviravolta à personagem. Seu talento para diálogos e cenas dramáticas deveria ser mais aproveitado pelo cinema atual.

O Quarto dos Esquecidos” chega aos cinemas de todo o Brasil no dia 24 de novembro.

Iury Parise

Um garoto do interior morando em São Paulo. Apenas mais uma pessoa tentando se destacar no mundo! :) Me acompanha?

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