Crítica: “O Filho Eterno” + Coletiva de Imprensa

O FILHO ETERNO
★★★★☆

ELENCO: Marcos Veras, Débora Falabella, Pedro Vinícius (II), Uyara Torrente e Augusto Madeira
DIREÇÃO: Paulo Machline
GÊNERO: Drama
DURAÇÃO: 1h 22min
DISTRIBUIDORA: Sony Pictures

O casal Roberto (Marcos Veras) e Cláudia (Débora Falabella) aguarda ansiosamente pela chegada de seu primeiro bebê. Roberto, que é escritor, vê a chegada do filho com esperança e como um ponto de partida para uma mudança completa de vida. Mas toda a áurea de alegria dos pais é transformada em incerteza e medo com a descoberta de que Fabrício, o bebê, é portador da Síndrome de Down. A insatisfação e a vergonha tomam conta do pai, que terá de enfrentar muitos desafios para encontrar o verdadeiro significado da paternidade.

Baseado no livro de Cristóvão Tezza, publicado originalmente em 2007, “O Filho Eterno” é muito mais do que um filme que mostra como uma família foi afetada pelo nascimento do filho com Síndrome de Down, mas sim um filme sobre paternidade.

Com o incrível e caprichoso trabalho da direção de arte, maquiagem e figurino, entramos na década de 1980, mais precisamente em 1982, quando o Brasil perde o título de tetra campeão após perder uma partida contra a Itália e ser desclassificado da Copa do Mundo. Aliás, a linha do tempo de todo o filme é diretamente relacionado com a Copa. É também o ano de nascimento de Fabrício – um filho que ainda na barriga de sua mãe, carregava todas as expectativas de vida de um pai profissionalmente frustrado.

Fabrício é diagnosticado com Síndrome de Down, ou “Mongolismo” – termo usado e aceitado na época quando havia menos informações a respeito da alteração do cromossomo, o que causa grande choque em Roberto que passa noites acordado tentando procurar soluções para “consertar o filho” (falas do próprio personagem retiradas do filme).

Apesar de coadjuvante, Débora entrega um excelente trabalho como Claudia – uma jornalista que pega turnos extras no trabalho para sustentar a família e uma mãe protetora, compreensível e amorosa. Convencida pelo marido, ela viaja com ele e o filho para o Rio de Janeiro para visitar uma clínica que acredita ser capaz de curar crianças com Down, transformando-as em crianças “normais”.

De volta à Curitiba, onde se passa a trama, Beto tenta aplicar os exercícios propostos pela clínica, que chegam a ser torturantes para Fabrício e ativa ainda mais o instinto de mãe de Claudia, que não concorda com as ações do marido.

É 1990, Beto está dando aulas em Florianópolis e consegue publicar um de seus trabalhos. Com as aulas longe de casa, se torna um pai ainda mais ausente – se rende à vida boêmia e chega a praticar atos que não são considerados muito fiéis dentro de um casamento.

Enquanto isso, em Curitiba, Claudia divide seu tempo entre turnos no jornal e em cuidar e criar praticamente sozinha uma criança. Em uma das cenas mais lindas do filme, Claudia lembra o aniversário de 4 anos do Fabrício onde ninguém apareceu, nem os amigos do colégio, nem o próprio pai. Ela lembra que ainda assim Fabrício continuava sorrindo, sem entender absolutamente nada do que estava acontecendo. Em uma atuação digna de prêmios, a personagem de Débora nos mostra ali que também sofre muito com a aceitação da situação.

Outro ponto forte do longa, é quando Beto, imerso em seu trabalho, não percebe o desaparecimento de Fabrício durante o jogo do Brasil na Copa de 90. Desesperado, ele sai em busca do filho e, sem sucesso, volta para casa e o encontra com Claudia. O momento em que o personagem de Veras abraça o filho e diz pela primeira vez que o ama, consegue convencer o público em seu primeiro papel de destaque em um drama.

1994, Beto se torna um pai presente – como podemos ver na cena em que ele vai até o campeonato de natação do filho e o busca para passar um fim de semana com ele. O Brasil vence a Itália e conquista o tetra. É a primeira vitória de um campeonato mundial de futebol que Fabrício assiste. O filme termina em uma cena linda, pai e filho comemorando a vitória do país. Título que Beto sonhava em ver o país receber desde o dia do nascimento do filho.

“Eis o filho, eis o pai. Nenhum dos dois faz a mínima ideia de como isso vai acabar. E isso é bom.”

No dia 22 de novembro, aconteceu no Hotel Golden Tulip a coletiva de imprensa do filme. Estavam presentes os protagonistas Marcos Veras, Débora Falabella e Pedro Vinícius, além do diretor Paulo Machline e o produtor Rodrigo Teixeira.

Durante o painel de perguntas, Marcos disse não ver Beto como um vilão: “Ele não quer se desfazer do filho, ele quer entender o que ele é com o tempo. […] Ele mostra sensações e dificuldades. Como pai, ele tenta entender a situação, é totalmente humano. Ele tenta da forma que consegue. Praticar os exercícios (propostos pela clínica) é uma forma torta de amar do Roberto. Uma forma de concertar o filho, é algo instintivo.

Sobre o amor de Claudia pelo filho, Débora respondeu: “Ela é uma mãe que age por instinto, ela é um porto seguro da família. Em nenhum momento ela pensa se vai agradar o marido ou não. Ela está muito mais preocupada com esse amor e carinho ao filho do que o que o pai espera que esse filho seja.

Além do futebol, o tempo também é um dos protagonistas do longa. Metaforicamente apresentado através do avô de Fabrício, um relojoeiro, ele está no filme como um elemento do ser humano que precisa de tempo para compreender as coisas.

O Filho Eterno” chega aos cinemas de todo o Brasil no dia 1º de dezembro.

Iury Parise

Um garoto do interior morando em São Paulo. Apenas mais uma pessoa tentando se destacar no mundo! :) Me acompanha?

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