Crítica: “Internet – O Filme” + Coletiva de Imprensa

INTERNET – O FILME
★★☆☆☆

ELENCO: Felipe Castanhari, Thaynara OG, Rafinha Bastos, Pathy dos Reis, Cellbit, Gusta Stockler, Gabi Lopes e Victor Meyniel
DIREÇÃO: Filippo Capuzzi Lapietra
GÊNERO: Comédia
DURAÇÃO: 1h 36min
DISTRIBUIDORA: Paris Filmes

Construído através da coletânea de oito esquetes, “Internet – O Filme” traz a irreverência e a espontaneidade dos conteúdos de humor audiovisual das redes sociais e da internet para o cinema. Em uma convenção de YouTubers, os personagens entram em vários conflitos uma vez que todos eles estão em busca da fama a qualquer preço.

Internet: O Filme”? Mais para “YouTube: O Filme”. Apesar das tentativas de mostrar que o filme não é só sobre YouTubers, não tem como negar que o projeto de Rafinha Bastos foi egoísta na hora de selecionar pessoas que pudessem representar a internet. Temos uma estrela do Snapchat, meia dúzia de atores ou humoristas e só: o resto do elenco é formado inteiro e apenas por criadores de conteúdo de vídeo. E sim, já começo essa crítica xaropando.

Resumidamente, “Internet: O Filme” reúne uma série de celebridades da web – que juntos somam mais de 57 milhões de seguidores e que interpretam personagens que são inspirados neles próprios. E é bem medíocre.

O filme se passa em uma convenção de YouTubers em um hotel em São Paulo, onde as diferentes tramas (tentam) se desenrolar. A rivalidade entre Wesley (Gusta) e o casal Mateus (Felipe Castanhari) e Natalia (Pathy dos Reis) por causa de número de seguidores, a disputa por uma viagem para Los Angeles entre Tito (Julio Cocielo), Rafa (Igão) e Vepê (T3ddy), a garota mimada e mal humorada Fabi (Gabi Lopes) que ganha fama depois de sua amiga Malu (Thaynara OG) divulgar um vídeo dela na internet e o mestre dos games Paulinho (Cellbit) que é sequestrado por um fanático (Polado) são algumas delas.

Imagem: Reprodução / Paris Filmes

A falta de representatividade presente em um projeto tão “moderno” é triste de se assistir durante os 96 minutos de filme. E não falo só da falta de outras personalidades da internet além das que utilizam o YouTube, mas sim da questão de termos apenas uma pessoa negra em um elenco que diz reunir “as maiores estrelas da web”. A atriz e cantora carioca Polly Marinho interpreta  Barbara e foi uma das únicas que conseguiu me tirar muitas risadas – não por ser alvo das piadas machistas e gordofóbicas que o filme proporciona, mas por ter feito seu papel muito bem.

Eu já não esperava muito sabendo que Rafinha Bastos era um dos roteiristas. Conhecido pela falta de noção e freio na hora de fazer humor, o texto do humorista está repleto de diálogos com piadas de lógica opressivas do machismo, homofobia e piadas com gordos, tão comuns no Brasil e que serão ainda mais consumidas por milhares de jovens que irão ao cinema. Independente dos diversos discursos de como estamos nos tornando chatos nos dias de hoje, a liberdade de expressão deve ter um limite quando levamos em consideração o tanto de jovens e crianças que serão influenciados por “Internet: O Filme”. Como disse o advogado Igor Savitsky em uma matéria da Folha em 2015: “Liberdade de expressão não é cheque em branco para humilhar oprimidos.

Imagem: Reprodução / Paris Filmes

“Internet: O Filme” parece ter sido editado como se fosse uma versão de quase duas horas dos vídeos das mesmas pessoas que formam o elenco do longa, com muitos gifs e memes, o que chega a ser cansativo e maçante para quem está assistindo, mas o filme não é lá de todo ruim e tem seus méritos, afinal, reunir tanta celebridade digital nas telonas não deve ter sido um trabalho fácil. Ainda sim é uma pena que com uma oportunidade tão grande e com pessoas que carregam números de engajamento tão absurdos, o filme não tente passar uma mensagem mais importante.

Quero destacar duas cenas que possuem uma dose de humor inofensivo e extremamente engraçadas, com a participação de Raul Gil e a presença dos anúncios da Jequiti durante a transmissão de um programa do SBT e a do MC Catra como Deus, ao lado de um Anjo Gabriel interpretado por Victor Meyniel. Outro grande destaque é a primeira cena do filme, um grande plano sequência de quase 2 minutos que apresenta os 21 personagens.

E só para deixar claro, eu não odeio ninguém que está presente no filme, tenho apenas uma aversão à alguns YouTubers e humoristas que usam da humilhação ao próximo para alavancarem seus números. Thaynara OG, mermã, você está sempre maravilhosa. E assim como o filme, esta crítica está uma bosta. É isso.

Imagem: Reprodução / Fato Online

No dia 13 de fevereiro, aconteceu no Hotel Golden Tulip a coletiva de imprensa do filme. Os YouTubers Felipe Castanhari, Pathy dos Reis, GustaVictor MeynielCauê Moura, o humorista Rafinha Bastos e a atriz Gabi Lopes estiveram presentes, além do diretor Filippo Capuzzi Lapietra e a produtora executiva Renata Rezende.

Durante a coletiva, Rafinha – que atua no filme e também co-produz, contou um conto de como o longa surgiu: “Eu falei com o Cauê e o Gusta e a gente pensou: ‘Vamos juntar essa galera e fazer um projeto que seja de cinema, que tire eles do YouTube para interpretar personagens.” Sobre a influencia de celebridades da internet migrando para o cinema atualmente, ele disse: “É o primeiro filme que é sobre internet, que é sobre YouTube e que fala sobre fama na internet. Nós temos a Kéfera como uma fada, o Christian contando sua história, mas este é um filme sobre a internet, que começou nela e trata sobre este universo.

A “fama não desejada” é tratada no filme com Fabi, personagem de Gabi Lopes, que tem um vídeo viral divulgado na internet e fica famosa sem querer. “Inicialmente a gente queria contar uma história de alguém que tinha ficado famoso sem querer na internet, isso acontece muito hoje em dia. E a brincadeira foi um pouco essa. A gente questionou muito do porque a personagem iria ficar famosa, ou o contrário, anti-famosa – porque ela não queria estar ali. Cada vez que ela xingava, ela impulsionava ainda mais aquela fama que ela tava negando.

Esta foi a primeira vez que muitos dos YouTubers atuaram pela primeira vez, e para não errarem na hora de atuar Gusta contou: “Quando nós fizemos a preparação, nós tentamos muito desvincular quem nós somos e nossos personagens.

Imagem: Reprodução / Paris Filmes

Pathy, que faz vídeos no YouTube desde 2009, contou sobre poder considerar este o seu trabalho: “Quando eu comecei a gente não tinha essas opções que temos hoje, até porque há 8 anos atrás ela não tinha o tamanho e a proporção que ela tem hoje e nem o benefício que ela trouxe para todos nós. Eu comecei realmente como uma brincadeira e isso foi tornando cada vez maior e foi ficando cada vez mais sério e hoje em dia isso é o meu trabalho. E eu me orgulho em dizer que isso é o meu trabalho porque eu gosto muito do que eu faço.

A produtora executiva Renata Rezende falou sobre os desafios e a velocidade com que o filme foi finalizado: “A produção do filme foi em tempo recorde. De quando o Rafinha trouxe o projeto para a produtora até os dias de hoje, foram uns 6 meses mais ou menos – que é um tempo muito fora da curva para se ter um filme na tela. Este desafio junto com o desafio de conciliar a agenda de todos esses meninos foram as duas grandes dificuldades deste projeto.” Sobre as agendas, Castanhari complementou: “Foi realmente muito difícil conciliar a agenda de todo mundo porque cada um tem a sua agenda semanal com o canal, ou diária, eu diria. Essa parte da agenda foi uma coisa complicada.”

Internet – O Filme” chega aos cinemas de todo o Brasil no dia 23 de fevereiro de 2017.

Iury Parise

Um garoto do interior morando em São Paulo. Apenas mais uma pessoa tentando se destacar no mundo! :) Me acompanha?

Comenta aí, vai :P