Crítica: “Bugigangue no Espaço” + Coletiva de Imprensa

BUGIGANGUE NO ESPAÇO
★★★★☆

ELENCO: Danilo Gentili, Maisa Silva, Rogerio Morgado, Jullie, Guilherme Briggs e Luiz Carlos Persy
DIREÇÃO: Alê McHaddo
GÊNERO: Animação
DURAÇÃO: 1h 30min
DISTRIBUIDORA: Imagem Filmes

Gustavinho, Fefa e os demais integrantes do clube Bugigangue estão preocupados com os trabalhos da escola, mas nem imaginam que em um ponto distante da galáxia o vilão Gana Golber tomou o poder da Confederação dos Planetas, ameaçando a paz do universo. Expulsos da confederação, sete Invas, alienígenas atrapalhados e ingênuos, conseguem escapar ao cerco de Gana, mas na fuga sua nave é danificada e cai na Terra. Logo os Invas fazem amizade com as crianças do clube, consertam a nave e embarcam juntos numa aventura intergaláctica para restaurar a paz do universo.

Adaptado das revistinhas de 98, “Bugiguangue No Espaço” conta com o roteiro e direção do paulistano Alê McHaddo, que não abriu mão de reunir todos os personagens da história no primeiro longa-metragem brasileiro animado em 3D e com a tecnologia D-BOX. Segundo o diretor, foi um trabalho com 15 artistas durante 4 meses para conseguir crescer personagens que já haviam um histórico sem perder suas essências e introduzi-los tanto para quem já acompanhava a história, quanto para aqueles que vão conhece-los pela primeira vez.

O filme começa após uma nave espacial cair na Terra bem ao lado do clube Bugigangue. Curiosos, Gustavinho, Fefa, Bola, Mariana, Banana, Mitsue e Francesco conhecem os alienígenas Invas (dublados por Guilherme Briggs) – os seres mais simpáticos e atrapalhados de toda a galáxia. Juntos, o grupo embarca em uma aventura para salvar o mundo de um poderoso vilão intergaláctico chamado Gana Golber, que está ameaçando o equilíbrio do universo.

Fefa (dublada por Maisa Silva) é uma garotinha curiosa e o que ela tem de pequena, tem de corajosa – aliás, ela acaba sendo uma das grandes heroínas de toda a história. Gustavinho (dublado por Danilo Gentili) é destemido e desafiador, ele não tem medo de enfrentar e zombar o grande Gana Golber. Bola (dublado por Rogerio Morgado) é, se não o mais, um dos personagens que mais tira gargalhadas de quem assiste ao filme.

Imagem: Reprodução / Imagem Filmes

Durante toda a aventura em busca de uma arma que possa destruir Gana, o grupo se encontra com vários ícones da cultura pop que servem de referência para o filme, referências essas que irão desencadear uma bela costura entre pais e filhos. Um dos mais marcantes personagens dessas referências é o ET de Varginha, que tem o Chupa Cabras como seu cão de estimação.

Para quem não lembra, há histórias de pessoas que supostamente viram o ET no sul de Minas Gerais em 1996. A aparição ficou famosa no mundo todo e o diretor aproveitou para criar o personagem – um carismático caçador de tesouros ancestrais de botas e chapéu.

O famoso ET, Seu Madruga e personagens de “Star Wars” também serviram de referência.

Imagem: Reprodução / Imagem Filmes

A animação se desenrola muito bem, mesmo com vários personagens e viagens pela galáxia – escolha do próprio diretor, que em minha opinião não ficaram confusas na história. A mistura de comédia, aventura e ação, com as lutas entre o clube Bugigangue e os robôs de Gana vão despertar o interesse da criançada que for aos cinemas conferir o filme. Minha única critica negativa seria para a presença de um ou dois personagens estereotipados – aqueles feitos a partir de moldes prontos, com ações e reações previsíveis: a patricinha, o badboy ou o nerd.

Este clichê presente em animações é uma questão longa da qual eu não discutirei nesta crítica, porém devo dizer que o trabalho que a Disney tem feito em suas últimas animações, como “Frozen” (com um galã que mais tarde descobrimos ser o vilão) e “Moana” (uma princesa totalmente diferente das outras) é o que pode ter impulsionado o sucesso de ambos os filmes.

Imagem: Reprodução / Imagem Filmes

No dia 14 de fevereiro, aconteceu no L’Hotel PortoBay, em São Paulo, a coletiva de imprensa do filme. A atriz e apresentadora Maisa Silva e os humoristas Danilo Gentili e Rogerio Morgado estavam presentes, além do diretor e roteirista Alê McHaddo.

Durante a coletiva, Alê contou como foi adaptar a história para o cinema: “Logo no começo eu descobri que tinha um desafio muito grande porque eram muitos planetas e muitos personagens em cena. Eu acho que o nome Bugigangue tem muito a ver com como a gente conseguiu fazer, porque nós tivemos que inventar a tecnologia, tivemos que percorrer um caminho que não havia sido percorrido no Brasil que é fazer um filme 3D de longa metragem. Conseguimos adaptar a história e fizemos primeiro um curta metragem para testar a técnica e ver como poderíamos contar a história com tantos personagens. Insistimos na quantidade de personagens e vimos o quanto isso deu certo.

O diretor também contou o que os atores acrescentaram à seus personagens: “Quando começamos a produzir, a Maisa era aquela menina pequenininha, engraçadinha, que todo mundo do Brasil conhecia e desde sempre ela foi o que serviu para animarmos a Fefa. Foi muito legal chegar ao final e chamar ela para a dublagem. Danilo também trouxe muito ao Gustavinho, esse jeito irreverente do Gustavinho deve-se muito à voz dele que se encaixou muito com o personagem. E o Rogerio, que não é porque ele é gordo que a gente chamou ele para fazer o Bola, mas é pelo senso de humor que ele tem.

Sobre as referências presentes no filme, Alê revelou: “Eu acho que é uma característica minha de gostar de colocar algumas pequenas referências no filme. A referência é uma piada diferente, é uma piada visual que os Simpsons usam demais e eu quis explorar isso. Colocar o Yoda vendendo suco é um sonho pra mim. Então eu acho que essa brincadeira acrescenta ao filme, ela da um alívio.

Imagem: Reprodução / Imagem Filmes

Esta é a primeira vez que Maisa dubla um longa-metragem: “Os protagonistas são todos crianças e as vozes são de adultos e eu não sou adulta, mas eu estou lá dublando uma personagem que é aproximadamente 7 anos mais nova que eu. E foi bem engraçado. No início eu não tinha a mínima ideia do que eu tinha que fazer e todos foram muito pacientes comigo.

Eu deixava a situação me guiar, assim como o Alê, eu tentava buscar referências com os filmes que eu também cresci assistindo,” revelou Danilo sobre sua forma de dublar Gustavinho.

Para finalizar, Alê contou um pouco sobre o quanto os atores influenciaram na construção dos personagens: “Todos os três colaboraram muito na hora de dublar. Eles traziam cacos, os jeitos de responder, eles se colocaram muito nos personagens. Foi uma experiência muito legal de conseguirmos construir os personagens juntos na hora de dublar.

Bugigangue no Espaço” chega aos cinemas de todo o Brasil no dia 23 de fevereiro de 2017.

Iury Parise

Um garoto do interior morando em São Paulo. Apenas mais uma pessoa tentando se destacar no mundo! :) Me acompanha?

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