Crítica: “A Bela e a Fera”

A BELA E A FERA
★★★★★

ELENCO: Emma Watson, Dan Stevens, Luke Evans, Kevin Kline, Josh Gad, Ewan McGregor, Stanley Tucci, Audra McDonald, Gugu Mbatha-Raw, Ian McKellen e Emma Thompson
DIREÇÃO: Bill Condon
GÊNERO: Musical
DURAÇÃO: 2h 9min
DISTRIBUIDORA: Walt Disney Studios Motion Pictures

Moradora de uma pequena aldeia francesa, Bela (Emma Watson) tem o pai capturado pela Fera e decide entregar sua vida ao estranho ser em troca da liberdade do progenitor. No castelo ela conhece objetos mágicos e descobre que a Fera é na verdade um príncipe que precisa de amor para voltar à forma humana.

Em 1991 foi lançada, pela Disney, a animação “A Bela e a Fera” – baseada no conto francês de mesmo nome da autora Jeanne-Marie Leprince de Beaumont. Eu me lembro de quando tinha 5-6 anos e ficava o dia todo deitado no sofá da sala de casa assistindo minhas fitas cassete com os clássicos da Disney e a partir do momento em que a versão live-action da animação foi anunciada, eu esperei por esse lançamento.

Em todas as versões que o filme já teve, incluindo a adaptação de 2001, “A Fera”, com Vanessa Hudgens e Alex Pettyfer e a versão franco-alemão intitulada “La Belle et la Bête” com o incrível figurino, fotografia e atuação de Léa Seydoux e Vincent Cassael, eu nunca vi algo tão puro, romântico e mágico. Na versão live-action de “A Bela e a Fera”, acompanhamos uma Bela forte, corajosa, destemida e disposta a arriscar sua vida em troca da liberdade de seu pai, Maurice (Kevin Kline), que foi aprisionado no castelo da Fera (Dan Stevens) por tentar roubar uma rosa para Bela.

Imagem: Reprodução / Walt Disney Studios Motion Pictures

Desde janeiro de 2015 quando Emma Watson anunciou em sua página no Facebook que iria interpretar a princesa na nova aposta da Disney, não me restaram dúvidas que a escolha não poderia ter sido melhor. A atriz, engajada na campanha HeForShe, que defende os direitos das mulheres e da igualdade de gênero, trouxe mudanças para a personagem, contribuiu no figurino (deixando para trás o avental), caracterização e até mesmo na história de Bela. Uma destas mudanças foi transformar a jovem em uma inventora, profissão de seu pai na animação. O motivo? Emma queria que Bela tivesse sua própria história do porque ela era tratada diferentemente pelos outros moradores do pequeno vilarejo francês em que mora.

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Há mais ou menos um mês atrás, a atriz se pronunciou sobre dizerem que ela interpretaria uma personagem que sofria de Síndrome de Estocolmo – condição na qual a vítima passa a ter simpatia ou desenvolve sentimento de amor ou amizade pelo seu agressor, e disse: “Bela discute e discorda da Fera constantemente. Ela não tem nenhuma característica de alguém com a Síndrome de Estocolmo porque ela mantém a sua independência mental e ataca tanto quanto é atacada.” E é exatamente o que vemos durante todo o filme. Bela não abaixa a cabeça para a Fera em nenhum momento.

Imagem: Reprodução / Walt Disney Studios Motion Pictures

A relação dos protagonistas é convincente. Emma e Dan Stevens, que eu estou acompanhando em “Legion“, fazem um trabalho excelente aqui, principalmente nas cenas onde eles brigam ou discutem – conquistando risadas de quem acompanha a história. No live-action temos uma Fera mais “humanizada”, com uma educação de qualidade – como ela mesmo diz durante o filme e até cômica, fazendo piadas e deboches.

A Bela e a Fera” é fiel à animação de 1991 e mesmo assim consegue trazer adaptações plausíveis para os dias atuais, como as mudanças já citadas acima em relação à personagem de Emma. Outro ponto positivo da versão é que podemos conhecer mais sobre o passado dos protagonistas. Entendemos o porque do príncipe ter crescido com uma personalidade tão duvidosa e até sobre o passado da mãe da Bela e porque ela e seu pai se mudaram para vila.

Os serviçais do castelo Lumière (Ewan McGregor), Horloge (Ian McKellen), Mrs. Potts (Emma Thompson), Garderobe (Audra McDonald), Plumette (Gugu Mbatha-Raw), Cadenza (Stanley Tucci) e Zip (Nathan Mack) possuem cenas e diálogos que funcionam muito bem na trama. Graças aos efeitos especiais, que a Disney não economizou em fazer com propriedade, podemos ver uma versão mais real do espetáculo durante “Be Our Guest“.

Luke Evans é um perfeito Gaston – quase tão charmoso e forte quanto é egoísta, rude e convencido, fazendo de tudo para tentar conquistar Bela e se casar com ela. Seu fiel escudeiro, LeFou (Josh Gad), é tão grandioso quanto a polêmica que envolveu o personagem após ser revelado que este seria o primeiro personagem abertamente gay da Disney. Não há um momento em que ele está em cena que você não irá rir.

Imagem: Reprodução / Walt Disney Studios Motion Pictures

Vale lembrar que essa não é a primeira vez que Bill Condon está no controle de um musical. O diretor já dirigiu “Dreamgirls – Em Busca de um Sonho”, indicado à 8 categorias no Oscar de 2007, e roteirizou “Chicago”, vencedor de seis Oscars em 2002.

Outros destaques de produção que devem ser mencionados é o roteirista Stephen Chbosky, que já havia trabalhado com Emma em “As Vantagens de Ser Invisível“, a figurinista Jacqueline Durran – indicada quatro vezes ao Oscar, levando o de Melhor Figurino em 2013 com “Anna Karenina“, Tim Rice pela composição das novas canções, e claro, Alan Menken, compositor de diversas trilhas-sonoras de filmes da Disney, entre eles “A Pequena Sereia“, “Aladdin“, “Pocahontas“, “Encantada” e a própria animação de “A Bela e a Fera” de 1991.

Um filme com muita música, cenas encantadoras, romance e magia. Um filme com mensagens significativas, sobre duas pessoas que foram completamente excluídas pela sociedade e encontram consolo uma na outra. É um grande presente da Disney para todos nós que passamos nossa infância acompanhando suas animações.

A Bela e a Fera” chega aos cinemas de todo o Brasil no dia 16 de março de 2017.

Iury Parise

Um garoto do interior morando em São Paulo. Apenas mais uma pessoa tentando se destacar no mundo! :) Me acompanha?

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